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PREZADOS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS 15/10/2018 - 19:45
Prezados companheiros e companheiras

Quando entrei em A.A., por falta de informações, pois o grupo era novo, fiz algumas coisas que são consideradas perigosas pela experiência de A.A. para recém ingressos na Irmandade. Logo no dia seguinte a meu ingresso comecei a participar dos encontros no bar em que eu mais havia bebido com os antigos companheiros de bebidas, fiz isto só por uns dias, não tive vontade de beber mas as conversas eram tão confusas e sem sentido que desisti de ali chegar, e vi ali o que exatamente eu fazia antes também.

No final de semana seguinte a meu ingresso, era o sábado antecedente ao carnaval, fui convidado e fiquei duas noites no caixa geral de um clube, bem junto onde passavam as bebidas, também passei sem ter vontade de beber. A outras situações que me pareciam mais perigosas no entretanto não me arrisquei, como por exemplo, passei 20 anos sem ir à praia e sem assistir partidas de futebol, pois notei que isto me perturbava muito. Nas reuniões de família e com amigos quando alguém bebia normalmente, isto nunca me incomodou.

Quanto a abordagens, o melhor resultado que consegui para trazer novos membros para a irmandade, foi quando eu tinha 3 meses em A.A., escrevi três cartaz anônimas a três conhecidos que beberam comigo e mais tarde todos foram para o A.A. Um era da minha cidade eu mesmo o recebi no grupo, os outros dois fiquei sabendo mais tarde que haviam ingressado em grupos de suas cidades. Um deles quando contei que fui eu que havia enviada aquela carta me disse que brigou com o padre pensando que ele é que enviara a carta anônima, e ai demos boas gargalhadas juntos.

Depois abordei muitos, sempre a pedido das famílias do doente e com concordância deles, para mim sempre deu bom resultado, pois passei a mensagem, quanto ao resultado ao outro a Deus pertence. Agora que por motivo de saúde não posso frequentar o grupo presencial, tenho ainda recebido pedidos de familiares de alcoólicos e de amigos destes para abordá-los. Tenho feito a minha parte e o resultado entrego para o Deus do meu entendimento.

A cidade aqui não é muito grande, uns 280..000 mil habitantes, mas como estou no A.A. há muito tempo muitos me conhecem e por isso me procuram. Para mim sempre da bom resultado, faço a minha parte. Quando entrei em A.A. havia poucos livros aqui, o grupo era novo e muitas coisas referentes a seu funcionamento já haviam sido inventadas, tinham criado inclusive medalhas de honra ao mérito por tempo de abstinência em A.A.

Mais tarde, ocorreu a retirada dessas medalhas, da assinatura nas atas no livro de atas das reuniões de recuperação, da retirada das formalidades para ingresso, da abolição de crítica a companheiros e a grupos nos depoimentos de recuperação. Da retirada das palmas após cada depoimento, bem como para com as entregas de fichas para aqueles que a desejassem recebe-la por tempo de abstinência em A..A Algo que custou um pouco a ser aceito, mais por desconhecimento dos procedimentos de A.A. em suas decisões, foi especificamente a dificuldade na aceitação das decisões da Consciência Coletiva.

As decisões da Consciência Coletiva do Grupo devem ser rigorosamente obedecidas por tratar-se do único processo de decisão de um grupo. Todos mais especialmente os servidores de confiança devem obedecer essas decisões, e isto demorou a ser aceito por lá. É verdade que para estas mudanças se efetivarem, houve um período com certo tumulto, até que todos entenderam o processo de decisão de A.A. através da Consciência Coletiva do Grupo, não há processo melhor. Além dessas mudanças o grupo treinou membros para falar em palestras públicas, procedendo palestrar simuladas no grupo, e após respondendo perguntas feitas como se viessem de funcionários da entidade onde procederiam as palestras.

Ao entrar no grupo colocaram-me direto na secretaria, quis inventar situações novas, depois informaram-me que A.A. já estava pronto era só aplicar as instruções existentes. A literatura naquela época não era bem aceita, e custamos a implantar o estudo dela no grupo. Nessas atividades, e até 5 anos no grupo, fiz mais confusão do que ajuda ao grupo, e foi ai que me dei conta que A.A. muito antes da entrada nos serviços me pedia uma reforma de comportamento em sentido amplo. Precisava eu reconhecer de fato a minha derrota perante o álcool, conceituar um poder superior para mim a meu modo, observar na minha vida as leis desse Deus concebido.

Fazer um inventário moral de toda a minha vida, admitir perante Deus e outro ser humano as minhas falhas, prontificar-me inteiramente a que Deus removesse meus defeitos de caráter, humildemente rogar a ele que removesse minhas imperfeições. Fazendo uma relação de todas as pessoas que tinha prejudicado, procurei reparar os danos a elas causados, fazendo reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, continuei fazendo o inventário pessoal e quando estava errado procurei admitir meus erros prontamente, procurei com a oração e a meditação contato consciente com Deus, tendo experimentado algum despertar espiritual pela aplicação desses passos em minha vida, procurei transmitir essa mensagem aos alcoólicos e a praticar esses princípios em todas as minhas atividades.

Esse acordar, esse abrir os pacotes prontos que recebi para que servissem de orientação para toda a minha vida em todos os sentidos, foi algo revolucionário para mim, analisar cada orientação, coloca-la sob a luz da razão com mente aberta, mas mente aberta mesmo, a mente só estará aberta se procurarmos fazer a análise livre de influências anteriormente lntrogetadas em nossa mente, ou seja analisar um novo assunto como se não tivéssemos nenhum outro conhecimento anterior sobre o mesmo. Quando trabalhamos com nossa mente virgem, ou seja, livre de qualquer outra informação anterior, ai sim teremos uma análise clara e sem interferência de condicionamentos anteriores.

É claro que após feita essa análise com mente efetivamente aberta, e à luz da razão, podemos comparar com outras ideias anteriores sobre o assunto, mas ai em igualdade de condições, o que já tínhamos plantado em nossa mente de longo tempo e a ideia nova. Esse cotejar de ideias é muito real para a prática dos Doze Passos de A.A., e o que me marcou nessa longa e permanente jornada de transformação, é que a existência em mim, só dos conceitos conhecidos e aceitos da recuperação, é uma realidade muito distante de um efetivo exercício dos princípios de recuperação dos Doze Passos de A.A. em minha vida.

Ou eu praticaria os Doze Passos de fato com profundidade e permanentemente, ou ficaria um eterno dono da verdade procurando as luzes da ribalta ou a crista das ondas por onde eu estivesse. O amor, a paz, a felicidade e a busca mais próxima da perfeição sempre andam juntas. Não se trata de ser importante, mas de ser mais bondoso, amoroso, compassivo, tolerante, amigo, humilde, em paz e feliz com a Vida, comigo mesmo, com todos e com o Universo.

Abraços fraternos, muita paz, luz e mais 24 h sóbrias.
Magno/RS.