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APRENDER OU REDESCOBRIR QUEM SOU. 12/03/2017 - 19:29
Aprender ou redescobrir quem sou.
Prezados membros deste grupo.

Relembrando todo meu passado, revejo minha infância, minha adolescência, minha maturidade e meu outono.

Antes de iniciar as minhas bebedeiras doentias, lembro-me de minha timidez, de ter poucos, porém bons amigos. Foi um bom e tranquilo tempo. Aos 32 anos de idade, mais ou menos, entrei para o alcoolismo ativo, nesse momento, já havia casado e tinha emprego estável. Tudo isto ajudou-me bastante, pois minha esposa segurou sempre a barra, apesar de que mantive-me sempre trabalhando e procedendo as obrigações básicas em minha família.

Com quase 45 anos de idade, após vários tratamentos com psiquiatras e psicólogos, por recomendação de um clínico geral, entrei em A.A. Era um grupo novo, recém-criado, e que muitas das atividades de um grupo estruturado e com experiência ainda não se procedia por lá.

De imediato, no grupo, colocaram-me no serviço, serviço este que naquele momento era mais pro forma. Esta entrada de imediato no serviço, como sabemos não é recomendada por A.A., é bom algum tempo de recuperação, e tanto mais tempo de recuperação quanto for a responsabilidade do encargo a ser assumido.

Bem mas isto aconteceu, e ai recomendo aos meus irmãos e irmãs de doença que não façam o que eu fiz: Servir para após procurar a recuperação. A.A. é muito sábio e a ordem dos legados prevê a ordem do exercício destes em nossas vidas de alcoolistas em A.A.

O fato de ter entrado de imediato no serviço, antes da recuperação necessária, permitiu-me nunca mais ingerir nada de bebidas alcoólicas, mas por ouro lado não deu-me o conhecimento necessário de mim mesmo, e sem este, nenhum procedimento de recuperação fiz até aproximadamente 5 anos em A.A.

Um belo dia relendo no 5º Passo novamente: Como vou saber se estou cometendo os mesmos defeitos que eu cometia quando bebia?

Verifiquei que eu, que para que me deixassem beber mais a vontade, fizera tudo que podia para que todos em minha casa ficassem a vontade, despreocupando-me, com gastos além de nossas possibilidades, com a pontualidade, com coisas e objetos fora do lugar, com o jantar sem hora, com música e televisão altos e ao mesmo tempo, com horário de dormir, etc., estava agora que parei de beber, sendo perfeccionista e querendo tudo organizado, bonitinho, pontual e sem gastos excessivos.

Foi uma guerra, e pior, realmente não estava dando-me conta que cometia os mesmos defeitos de antes, porém de maneira inversa, se antes podia tudo, agora não podia quase nada. Quando dei-me conta disso tudo, comecei realmente pela primeira vez a prática dos passos, lentamente, mas com disciplina e persistência.

Os passos foram abrindo-me a mente. Verifiquei que eu havia nascido num vida programada, ali estava a religião o conceito de Deus, o conhecimento escolar, os costumes, os valores, as verdades, e tudo.

Quando dei-me conta dessa minha situação, que parece-me é universal, comecei a questionar, não para desacreditar no que aprendi, mas para verificar se o que aprendera estava de acordo com as minhas experiências, observações e análise em relação ao conhecimento geral, inclusive que A.A. estava, através de seus livros orientando-me: Use a mente aberta, formule seu conceito de um Deus, procura conhecer-te, fazes parte de um todo e sendo assim ao ferir alguém feres a ti mesmo, e por ai vai ad infinitum. Abrir estes pacotes prontos que me foram introjetados, nem foi tão difícil.

O difícil foi ao tomar conhecimento de minha realidade, descobrir como modificar-me e colocar minha apreciação dos fatos de modo real, para que minhas emoções tivessem essa respectiva serenidade e equilíbrio.

Se vejo tudo de modo maior do que efetivamente é, minhas sensações emocionais também são igualmente exageradas, e o consequente sofrimento ou bem-estar. Hoje sei que minhas emoções devem ser equilibradas, quer seja na dor ou no prazer.

Verifiquei através do exercício dos Doze Passos de A.A. que realmente não estou aqui para aprender, mas para me redescobrir, para saber quem efetivamente sou e o quero ser, pois para pelas experiências poder apreciar as diferenças e fazer as melhores escolhas, Deus me fez esquecer o que eu era antes de nascer, para aqui no mundo objetivo, sentindo a luz e a escuridão, o amor e ódio, o bom e o mau, o alto e o baixo, o pequeno e o grande, o aqui e o lá e o que fica no meio, e assim aperfeiçoar-me para a volta para casa, conhecendo-me agora experimentalmente, pois no absoluto sem matéria, só me conhecia conceitualmente.

Meu Eu interior é divino, e sabe e conhece tudo, preciso apenas, através do exercício dos Doze Passos, especialmente da meditação, permitir que esse Eu se expresse em minhas atitudes e vida. Como sempre, são minhas experiências em A.A., meu jeito de ver e meu caminho na vida, respeitando o modo de ver e de caminhar de cada um. Um grande abraço a todos os membros desta nossa jornada de vida em A.A..

Muita paz, luz e mais 24 h sóbrias.
arco/RS.