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VIVÊNCIA - REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 165 - JAN/FEV 2017 01/03/2017 - 20:33
VIVÊNCIA - REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 165 - JAN/FEV 2017
2017 será bom ou ruim para A.A.?

Isso vai depender de como cada um de nós vir a engajar-se nas ações propostas.

Ao tomar conhecimento do Projeto A.A. Brasil 70 anos, durante um evento, minha esperança no crescimento da Irmandade aumentou muito. A meu ver, com essa ação a JUNAAB parte para cumprir, de forma brilhante, seu principal papel. As metas são desafiadoras, como devem ser todas as metas. Nelas não há zonas de conforto e sempre buscam pontos estratégicos.

Um e seus desafios é o de conseguirmos, até o final de 2017, o cadastro de 50.000 Amigos de A.A., para que, em todos os bairros e cidades do país, aconteça a situação descrita por Bill W., na forma integral da Décima Primeira Tradição: "Nunca há necessidade de elogiarmos a nós mesmos. Achamos melhor deixar que nossos amigos nos recomendem". Teremos maior aproximação com a mídia, com a finalidade de informar ao grande público o que é A.A. e qual sua proposta para a recuperação do alcoolismo.

Considero essa ação estratégica, pois entendo que, na maioria das vezes, conseguimos dizer para a população que existimos e que "estamos aqui", mas raramente conseguimos dizer quem somos. Talvez valha lembrar que o artigo escrito por Jack Alexander em 1941 fez com que nossa Irmandade passasse de 2.000 para 8.000 membros, exatamente porque ele conseguiu transmitir muito sobre como funcionamos.

Outra ação do projeto é para buscarmos a cooperação de pessoas de renome na sociedade. Trata-se de iniciativa similar àquelas tomadas pelos pioneiros, a partir de 1938, para a formação da Fundação do Alcoólico (a partir de 1954, Junta de Serviços Gerais) e para estabelecer contato com o Sr. John D. Rockefeller Jr. O projeto ainda prevê o aprimoramento da nossa informação interna, a fim de melhorar nossa forma de abordar e apadrinhar alcoólicos e profissionais em nossos grupos. Esse projeto é bom ou ruim?

Para responder essa pergunta, compartilho uma pequena estória, mesmo correndo o risco de não ser fiel ao conto original, pois tenho-o apenas na minha memória. Era uma vez um grande mestre, que tudo sabia e tudo adivinhava.

Certa vez, um de seus discípulos resolver testar seu saber. Pegou um pequeno pássaro, segurou-o firme em uma das mãos e, de frente para o mestre e com as mãos atrás de si, perguntou: "Mestre, o que tenho nas mãos?" O mestre respondeu ser um pássaro. Mas, o discípulo estava pronto para "derrubar" o mestre e lançou a pergunta final: "Mestre, o pássaro está vivo ou morto?"

Ele acreditava que o mestre perderia de qualquer maneira. Se falasse que estava morto, o discípulo soltaria o pássaro, que sairia voando; se falasse que estava vivo, o discípulo apertaria o pássaro até a morte antes de mostra-lo ao mestre. Porém, o mestre era realmente bom e assim respondeu: "Depende de você."

Pois é: o Projeto A.A. Brasil 70 anos é bom ou ruim? Depende de mim e de cada um de nós. Se nos prepararmos para receber adequadamente em nossos grupos os futuros companheiros, os amigos e a mídia local, o projeto ajudará a cumprir nossa Quinta Tradição e nosso Décimo Segundo Passo, a recriar lares repletos de paz, com suas crianças mais concentradas nas escolas, livres da preocupação da embriaguez do pai (ou da mãe).

Então, o Projeto terá sido bom. Mas, se não nos prepararmos - e a nossos grupos - para bem receber essas pessoas, o Projeto será ruim, pois elas chegarão de todo modo, mas, não ficarão, e isso causará uma dor que conhecemos muito bem.

Devo parar um minuto para lembrar-me da dor, do inferno, convencendo-me de que não há sacrifício grande demais para livrar um ser humano daquela situação que já vivenciei. Depois de tudo que passei, não posso alegar uma "crise" para não contribuir para que a JUNAAB cumpra o seu papel.

Creio que chegou a hora de dizer a que viemos. Convém eu verificar desde já qual pode e deveria ser minha participação; como contribuir financeiramente; como melhorar meu conhecimento sobre A.A.; como melhorar minha forma de abordagem e acolhimento; como tornar mais agradável a reunião no grupo base. Enfim, decidir como participar nesse novo momento, que já começou.
E, depois disso, dormir em paz.

Marco V.
Juiz de Fora/MG

Vivência nº 165 - Janeiro/Fevereiro 2017