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PENSANDO DIANTE DE VOCÊS 20/12/2016 - 21:04
PENSANDO DIANTE DE VOCÊS
Estimados membros deste grupo.

Sempre que deponho, tenho em mente ao falar ou escrever para mim mesmo diante de todos os meus irmãos e irmãs de doença, assumir assim um compromisso comigo mesmo de que as situações que tenho em mente alcançar e algumas que já venho alcançando, de continuar lá naquele lugar e momento em que surjam as minhas fraquezas e dúvidas, me sentir revigorado pelas lembranças desses meus contatos mais diretos com todos vocês, e ter a segurança e a força para tomar a mais reta conduta, dentro do meu entendimento, que me for possível.

A lembrança desse compromisso assumido comigo mesmo diante de todos, me reforça e consolida as atitudes mais corretas e desejáveis possíveis. Lembro como minha vida era amarga, difícil, complicada, triste, desalentada e sofrida; cheguei a pensar que a vida deveria ser efetivamente um vale de lágrimas, que tínhamos efetivamente uma cruz para carregar e me conformar com esse modo de viver e pensar sofrido.

Os meus condicionados e distorcidos pensamentos de então, levavam-me a esse estado doloroso de entendimento de vida. A minha vida já era assim sentida, antes de eu começar a beber lá pelos meus 32 anos. Hoje sei que a doença do alcoolismo foi o remédio para tornar a minha vida muito mais produtiva, alegre, alentadora, feliz, em paz e hoje já um pouco sóbria, no sentido amplo.

É claro que tudo isto dependeu de um processo tão lento e progressivo na prática dos Doze Passos de A.A., como foi o desenvolvimento de minha doença, só que esses novos momentos foram para recuperar-me dos processos destrutivos de minha vida de alcoolista. Descobri em A.A. que eu poderia gerar o meu próprio entendimento de um Deus, hoje para mim não antropomorfo como aprendi, e através das mudanças que A.A. me propôs, tomar o meu próprio caminho de espiritualidade, através do seu Primeiro Legado, culminando com as orações de petição, agradecimento e louvor, e finalmente pela meditação, previstas no tão esquecido Décimo Primeiro Passo.

Abri os pacotes de uma vida pensada ou convencionada para mim, que me entregaram para que eu assim a vivesse. Comecei a formar o meu novo caminho pelo meu próprio juízo e pela experiência livre já feita por aas e por mim mesmo. Tomei a fé oriunda de minha própria experiência e não a de segunda mão que me fora transmitida, pois esta fé com origem no resultado de experiências que levou-me a uma nova vida, segundo entendo, é a única e genuína fé, pois ninguém precisa me dizer nada, sei pelo alento, alegria, paz, serenidade e amor que esta vida de A.A. me proporciona.

A verdade é que não me bastou parar de beber, hoje isto me parece o mínimo que eu deveria ter feito para iniciar o caminho de uma nova vida que A.A. me oferecia. Não me bastava tampar a garrafa e continuar ser o único sábio, o único perfeito, o único dono da verdade, e continuar procurando sobrepor-me sempre a todos, numa tentativa personalista, questionadora de tudo, inútil e desagregadora, atitudes estas, que hoje pela graça do Deus do meu entendimento, venho conseguindo abandonar.

Não posso nem devo esquecer-me nunca, de que eu sou o mentor de minha própria vida, se alguém tem culpa do que me acontece sou eu. Jamais colherei algo diferente das sementes que eu coloco em minha mente subconsciente através de minha mente consciente por atos e/ou pensamentos. Sou fruto de mim mesmo. A.A. me diz, mude seu modo de pensar, pense alegre e positivo, abandone o negativismo, o desalento e a tristeza, perdoe, ame a si mesmo e a todos, e isto é uma verdade que vem transformando a minha vida aos poucos.

Sei que meus instintos me foram dados pela Divindade, para que eu pudesse desenvolver os fins de meu viver, dentro de seus limites naturais. Sei que o excesso destes é que deturpou toda a minha vida, e que eu sempre os terei, preciso é conservá-los dentro de seu limites normais e desejáveis de ação. Não devo assustar-me com o seu sempre retorno, na tentativa de ultrapassar os seus limites, em paz devo controlá-los e redirecionar essas energias para os canais devidos.

Devo ter em mente que o pensar e o analisar corretamente os fatos, dá as dimensões exatas de meus atos e dos atos dos outros, e consequentemente o tamanho das respectivas emoções que sinto, e que isto me vai dando cada vez mais o domínio de minha vida, tendo uma visão cada vez mais ampla e moderada de tudo que me cerca e me acontece.

Não devo sentir os fatos de minha vida como pesados, desalentadores e sofridos, pois são simplesmente fatos normais de uma vida, e com esse tamanho e normalidade devo senti-los, e como tal porquê sofrer por situações mesmo desagradáveis, mas que são inevitáveis porque são inerentes a própria vida, provocadas pelo aparamento das arestas, muitas vezes contra minha egoística vontade, seguindo os princípios da evocação da serenidade, posso sentir que a vida é sempre uma leve e suave dança.

Não devo permitir que por orgulho, rancor, inveja, egoísmo, desamor ou qualquer outro defeito de caráter, eu perca minha paz, só a perderei se permitir que esses defeitos me dominem. Sei, como diz no Sétimo Passo que a humildade deve deixar de ser um sofrimento para ser um prazer, e ai me é melhor e portanto mais fácil e desejável ser humilde do que ser orgulhoso, pois o orgulho e os demais defeitos de caráter só me trazem sofrimento.

Pensei mais uma vez diante de vocês todos, para com isso consolidar o que não posso esquecer, e fazer com que cada dia se torne o primeiro, o último e o único dia de minha vida, e o utilize da melhor forma, aprendendo sempre com todos vocês e com a vida, a ser agora um pouco melhor do que ontem. Tudo isto, nada mais é do que meu entendimento, sem a conotação de receita ou de pretender que concordem com isto, é somente meu particular caminho.

Que o Deus que cada um de nós possa crer, ilumine todos os nossos caminhos, e que a paz nos permeie.

Abraços fraternos, muita paz, muita luz e mais 24 h sóbrias. arco/RS.