Visitantes Online:  29

Home Page  
 
 
 
     
  « Voltar  
 

 

 
 
ESTIMADOS MEMBROS DESTE GRUPO 14/12/2016 - 18:12
Estimados membros deste grupo
A dor, o desespero, o jogar a toalha, ou a derrota total é o primeiro e necessário passo para a abstinência total de bebidas alcoólicas, segundo Alcoólicos Anônimos. O ingresso sem esse ingrediente essencial exige muita conscientização de que a doença é progressiva e quanto mais tarde começarmos a abstinência mais dramática será a nossa situação. Li em um livro sobre alcoolismo, não lembro em qual, já que li muitos, de que para que o alcoolista pare de beber é preciso que ele queira, e para que ele queira é preciso que a dor de seu beber seja maior do que a dor de seu não beber, ou seja, que ele se encontre num estado onde ele já não possa escolher entre algo bom ou ruim, e sim, dentre duas dores a menor. Certamente este é um estado desesperador.

Este estado d’alma e desespero, no entanto, terá a ver ou não, direta ou indiretamente com perdas materiais, emprego ou saúde, conforme os valores de cada um na vida, pessoalmente sou um exemplo disto, ou seja, nunca cheguei atrasado ao emprego por causa da bebida, não tive problemas de emprego, de saúde e sim no relacionamento familiar e não suportando mais aquela vida de bebedor com os consequentes problemas morais, espirituais e emocionais. Lembro-me, que logo que comecei a beber diariamente, isto já foi com 32 anos de idade, já se vão 54 anos, senti o problema, tentando e não conseguindo parar de beber, não tendo no entanto procurado logo uma solução para meu beber doentio.

Tão logo agravou-se o meu problema com a bebida, a pedido da família comecei minha via-sacra por psicólogos, psiquiatras, religiões e muitas coisas mais, tudo que me recomendavam. Naquele momento ainda não havia A.A. aqui no estado do RS. Todos estes tratamentos psiquiátricos e psicológicos ajudaram-me a conhecer-me e a entender-me melhor, porém não resolveram o meu problema com a bebida.

Estive já em abril de 1972, 3 reuniões seguidas em um grupo de A.A. em formação, na cidade de Novo Hamburgo RS, onde viria residir, no entanto não sei se porque ainda não estava bem preparado para aceitar essa solução, ou porque o grupo recém iniciara e tinha só um membro de Porto Alegre que vinha semanalmente até aqui e um candidato local, e portanto grupo sem experiência ainda, não fiquei, não pareceu-me solução.

Em 16 de janeiro de 1975, por recomendação familiar consultei um clínico geral na cidade de Gramado, quando ele disse-me que poderia desintoxicar-me mas que em 6 meses eu estaria de volta e que ele conhecia amigos em Porto Alegre que resolveram seu problema com as bebidas alcoólicas em A.A..

Em 4 de fevereiro de 1975, ingressei no mesmo grupo que estive em 1972, já então com uns seis membros mais ou menos. Ai aconteceu o que se poderia chamar de milagre, ou seja, eu que apesar de beber somente a noite, sem no entanto passar um dia sequer sem beber, no dia imediato de meu ingresso não tive mais vontade de beber.

Atribuo isto ao fato de que tinha certeza absoluta de que eu não podia mais beber, que eu era um daqueles que não sabia beber, pois já tinha feito várias tentativas de parar sem sucesso, porém fora de A.A.. Esta parada automática e com sucesso total, confirmou-me a teoria de A.A., de que é necessário a derrota total para que tenhamos a coragem de encetar esse programa de recuperação dos Doze Passos, além de parar inicialmente de beber.

Concordo que sem que a dor do beber fosse maior que a dor do não beber, eu não teria parado de beber e não teria tido coragem de começar e continuar esse programa maravilhoso de A.A. que além de ter-me feito parar de beber e ficar sem vontade de beber, ensinou-me a apreciar os fatos de minha vida em suas reais dimensões e com isso dar sentido a vida e viver com um bom domínio e equilíbrio das minhas emoções.

Nada me é extremamente pesado, nem nada me é extremamente leve, dizendo de outro modo, nada de alegrias extremas, nem de tristezas demasiadas, e sim o equilíbrio que mostra a beleza da dança suave da vida. Não permitir-me ofender a outros, nem ofender-me por nada, faz parte do segredo de A.A., para o equilíbrio das emoções, e decorre do prazer da humildade, de que fala o 7º Passo.

Revendo esse passado todo, às vezes pergunto-me, se eu não tivesse sido um alcoólico, e por consequência não tivesse necessitado de A.A., teria eu encontrado outro meio de buscar essa abertura de mente, e obter as modificações absolutamente necessárias para o entendimento da vida e o bem viver, de outra forma? Sinceramente acredito que não. Portanto estou feliz por tudo que aconteceu-me, foi tudo experiências, e levou-me aonde estou e me conduzirá aonde pretendo chegar, com a luz divina e minha boa vontade.

O Dr. Bob disse, cada um de nós terá o benefício proporcional a nosso esforço, pretendo continuar o esforço, enquanto a vida me permitir, pronto para a transição e para dar o pontapé inicial de uma nova jornada.

Assim como as repetições introjetaram em minha mente a vida desregrada e alcoólica no passado, com as repetições de minha caminhada de recuperação, para mim mesmo, diante de vocês, vem-me fixando na mente um novo modo alegre e feliz, de uma nova vida em paz.

Aos caminhantes comigo em A.A., abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias. arco/RS.