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A ESPIRITUALIDADE: BASE PARA O DESENVOLVIMENTO DE AA. 15/10/2016 - 13:19
A Espiritualidade: base para o desenvolvimento de AA.

A Espiritualidade: base para o desenvolvimento de AA.
Jairo Licero J. – Venezuela

Estimados amigos dessa Estrutura Internacional de Alcoólicos Anônimos.
Recebam uma afetuosa saudação do meu país, Venezuela, e da Junta de Serviços Gerais, meu nome é Jairo Licero J. um profissional da medicina e da comunicação social que presta um serviço na Estrutura Venezuelana para ajudar, com muita vontade, a todas aquelas pessoas que lastimavelmente sofrem da enfermidade do alcoolismo.

Agradeço a Deus e a todos vocês por permitirem-me viver essa primeira experiência e pelo consentimento de permitir-me falar sobre um dos temas mais importantes na recuperação dos alcoólicos, que tem demonstrado ser a base fundamental para o desenvolvimento da comunidade, como é a espiritualidade.

Aqueles que por graça de Deus não estão sofrendo com essa enfermidade e estamos em contato permanente com tantas pessoas que estão dentro do programa recuperando-se, como é meu caso, podemos afirmar ter passado pela mesma experiência descrito pelo Dr. Carl Jung, que em sua época, recomendou a espiritualidade como uma cura para o alcoolismo e por isso, igualmente, teve seu papel indireto no estabelecimento de Alcoólicos Anônimos. Que nesse
programa se deve confiar em Deus, e, além disso, confiar uns nos outros.

O Dr. Carl Jung, que atendeu por muitos anos àquele homem chamado Rowland H., homem este que foi um dos casos difíceis em sua maneira de beber, foi tratado por este psiquiatra, sem encontrar nos seus métodos uma solução para o alcoolismo. Este homem, Dr. Jung, disse a seu paciente, de uma maneira determinante, que “seu mal não tem cura, mas havia uma possibilidade de êxito se apegasse a princípios de uma experiência espiritual”.

Deus dá mostras de milagres em Alcoólicos Anônimos. Para nossos amigos de AA. Que não leram as fontes primitivas de fundação e prática do programa pode lhes parecer muito estranho que todas as experiências dos primeiros homens em recuperação utilizaram os princípios espirituais, os primeiros Alcoólicos Anônimos acreditavam que quando um membro deixava de beber havia acontecido nessa pessoa um grande milagre de Deus. Podemos citar alguns trechos do livro grande de AA. Vejamos um pequeno parágrafo que nos diz:
“Aparentemente, ainda ele pudesse beber, não poderia. Deus havia lhe restituído a sanidade. Não seria isso um milagre? Contudo, os elementos constantes são simples. Esse homem de dispôs a ter fé, devido as circunstâncias, ele se ofereceu humildemente ao Autor de seus dias, então, conseguiu”.

Eles, os pioneiros, buscaram a Deus dentro de si mesmo, por tal razão, o prodígio das curas Alcoólicas foi verdadeiro e real, conseguiram encontrar “a grande realidade” – assim chamaram a Deus.

Posso dizer que existe uma ligação muita estreita entre a espiritualidade e a existência de Alcoólicos Anônimos.

Está mais que provado que o doente, quando chega ao grupo e toma como guia o programa, sua literatura e compartilha com seus companheiros as experiências, dá início ao seu caminho na espiritualidade.

Um conceito central em AA. é a aceitação de uma força espiritual procedente de um poder superior para a recuperação do alcoolismo, que implica aceitar a espiritualidade, que é vista como uma experiência de transformação, ou de “Despertar espiritual” como resultado de participar das reuniões nos grupos frequentemente e a pratica dos Doze Passos.

Agora, em que medida se tem demonstrado que praticar “os Doze Passos” e com essa prática alcançar o “Despertar espiritual” influem na manutenção da sobriedade em nossos membros? Tenho observado em meu curto tempo dentro dessa maravilhosa comunidade e também como médico que a origem do alcoolismo é sempre uma ferida no coração ou vazio da alma e que somente a presença de Deus pode dar ao alcoólico a força e a motivação para mudar – e a prova disso é que existem muitos testemunhos que demonstram ter sido possível libertar-se dessa arma destruidora da vida.

Na literatura se fala da diversidade de experiências espirituais ao praticar esses passos – assim como aconteceu com Bill W. Algo muito importante é que não se refere a uma religião em especial ou uma crença, mas sim que acreditar em um Poder Superior, como cada um O concebe, é o suficiente. Isso basta para concluir que, para adquirir uma imediata e profunda “consciência de um poder superior”, seguida imediatamente de uma grande mudança de sentimento e atitude.

O livro grande expressa: “a maioria de nós pensamos que essa consciência de um poder superior a nós mesmos é a essência da experiência espiritual”. Nossos membros mais religiosos a chamam “consciência de Deus”.

Agora vejamos, é somente a sobriedade o que todo alcoólico deve esperar de seu despertar espiritual? Posso dizer que não, isso é somente o começo de seu despertar, esse despertar tem que continuar, tem que seguir alimentando-o com suas atitudes e com sua conduta, assim vai descobrindo que sua vida antes de chegar ao grupo era mundana e vazia e que pouco a pouco vai desfazendo dela, inicia uma nova vida, cheia de alegria, cheia de amor, saúde, fortaleza e o maior: demonstra para aqueles que o conheceram o que agora é de verdade, é outra pessoa.
Estou convencido de que o desenvolvimento de Alcoólicos Anônimos começa nos grupos, sobretudo quando seus membros têm a consciência do verdadeiro despertar espiritual, e de que somente é possível consegui-lo por meio dos Doze Passos.

Pra finalizar, quero lhes dizer que todos os aspectos a experiência de cada um dos alcoólicos em recuperação é em essência igual para todos os que praticam assiduamente o programa de recuperação sem dúvida alguma, a graça que cada um de nós recebe vem igualmente de um Deus amoroso. A única diferença é que alguns conseguem apreciar conscientemente o presente de uma maneira mais gradual.
Muito obrigado.

FONTE: Relatório Anual de Alcoólicos Anônimos do Brasil – XVII REDELA – REUNIÃO DAS AMÉRICAS – Cidade de Rey – New York – EUA – 21 a 25 de outubro de 2012 – XXXVII CONFERÊNCIA DE SERVIÇOS GERAIS – SERRA NEGRA/SP 2013 – PÁG. 196 - 197